A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência. Leva ao declínio nas habilidades de memória, pensamento e raciocínio. A perda de memória necessariamente interfere na vida diária e é um sintoma da doença. Se alguém que você conhece tem Alzheimer, é possível notar outros sinais como dificuldade de planejamento e realização de tarefas do dia a dia. Os sintomas são leves no começo, mas pioram ao longo dos anos.

 

De acordo com a intensidade do quadro degenerativo, há três estágios clínicos: leve, moderado e grave. Existe grande variação na duração dessas fases. Em algumas situações, os sintomas evoluem lentamente, possibilitando a manutenção de níveis funcionais razoáveis por muitos anos. Em outras circunstâncias, a deterioração é mais rápida, mas ocorre em velocidade constante. Há casos em que a doença evolui em surtos de piora, seguidos de fases de estabilidade, que chegam a durar um ano ou mais.

 

Estudos mostram que a duração de cada estágio também é extremamente variável. Em média, o primeiro estágio tem duração de dois a 10 anos. O segundo, de um a três anos. O terceiro, de oito a 12 anos.
Esses estágios podem ser subdivididos em sete fases:
– Leve: fases 1 a 3
– Moderado: fase 4 e 5
– Grave: fases 6 e 7
São as seguintes características identificadas em casa fase:
Fase 1: Cognição normal
Quando seu familiar estiver na fase inicial, não terá quaisquer sintomas. Apenas um PET scan, um exame de imagem que mostra como o cérebro está funcionando, pode sugerir que a pessoa tenha a doença de Alzheimer.
Fase 2: Declínio cognitivo muito leve
Você ainda pode não notar nada de errado no comportamento do seu familiar, mas ele pode estar apresentando pequenas alterações, coisas que até mesmo um médico às não identifica. Isso pode incluir esquecer um nome conhecido ou não lembrar onde colocou objetos familiares.
Nessa fase, os sintomas de Alzheimer são sutis e não interferem com a sua capacidade de trabalhar ou viver de forma independente.
Tenha em mente que esses sintomas podem não ser da doença de Alzheimer, mas simplesmente mudanças do envelhecimento.
Fase 3: Declínio cognitivo leve
É nesse momento que você começa a notar mudanças no pensamento e raciocínio do seu familiar. Seguem alguns exemplos:
– Esquecer algo que acabou de ler
– Fazer a mesma pergunta repetidamente
– Perder-se em uma viagem ou passeio a lugar desconhecido
– Ler um livro ou texto e reter muito pouco
– Perder ou colocar em local errado um objeto de valor
– Ter cada vez mais dificuldade para fazer planos ou se organizar para uma atividade
– Não conseguir lembrar de nomes de pessoas a quem é apresentado
Você pode ajudar sendo a “memória” do seu familiar, certificando-se, por exemplo, de que ele pague as contas em dia. Você também pode sugerir que ele alivie o estresse se aposentando do trabalho e colocando seus assuntos jurídicos e financeiros em ordem.
Fase 4: Declínio cognitivo moderado
Durante esse período, os problemas no pensamento e raciocínio percebidos na fase 3 se tornam mais óbvios e novas questões aparecem. Seguem alguns exemplos:
– Esquecer detalhes sobre si mesmo
– Ter dificuldade para preencher um cheque
– Ser incapaz de andar de transporte público desacompanhado ou dirigir próprio carro
– Esquecer qual o mês ou estação do ano que estamos
– Ter dificuldade para cozinhar refeições ou até mesmo encomendar a partir de um menu
Quem acompanha essa pessoa pode ajudar nas tarefas cotidianas e na segurança. Certifique-se de que não está dirigindo mais e de que alguém não esteja tentando se aproveitar financeiramente.
Fase 5: Declínio cognitivo moderadamente grave
Seu familiar não consegue sobreviver sem alguma assistência. Pode começar a perder o controle de onde está e qual é a hora. Pode ter dificuldade em lembrar seu endereço, número de telefone ou em que ano foi para a escola. Poderia ficar confuso sobre que tipo de roupa vestir para o dia ou estação do ano.
Você pode ajudar escolhendo as roupas a serem vestidas pelo seu familiar, fornecendo as peças na ordem do vestir.
Se ele repete a mesma pergunta, responda com uma voz tranquilizadora. O interesse não é tanto pela pergunta, mas mais pela reafirmação de que você está presente, garantindo sua segurança.
Mesmo que seu familiar não se lembre de fatos e detalhes, ele ainda pode ser capaz de contar uma história. Convide-o a usar a imaginação nesses momentos.
Fase 6: Declínio cognitivo grave
Como avanços de Alzheimer, o seu familiar pode reconhecer rostos, mas esquecer nomes. Também pode confundir uma pessoa com outra pensando que sua esposa é sua mãe. Delírios são frequentes, como pensar que precisa ir para o trabalho, mesmo que ele não tenha mais um trabalho. Nessa fase, a pessoa depende inteiramente de um cuidador para sobreviver.
Talvez seja necessário ajudá-lo a ir ao banheiro. A incontinência esfincteriana é frequente.
Se o momento for difícil de falar, você ainda pode se conectar com a pessoa por meio dos sentidos. Muitas pessoas com Alzheimer têm momentos agradáveis apreciando boa música, olhando fotos antigas ou escutando uma história.
Fase 7: Declínio cognitivo muito grave
As habilidades básicas de vida diária como comer e caminhar são comprometidas durante esse período. Você pode ficar envolvido alimentando seu familiar, fazendo companhia cantando, rezando ou contando histórias.
Dra. Maria Cristina Cachapuz Berleze
Médica geriatra do La Fontana ATS e chefe do Serviço de Geriatria do Hospital São Lucas da PUCRS
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