O avançar da idade e o relacionado aumento expressivo na incidência de doenças crônicas, resultam em um elevado número de prescrições de medicamentos.

O uso de múltiplos medicamentos tem sido identificado como um dos principais determinantes do uso inadequado e potencialmente perigoso.

Estudos que avaliaram essa questão em idosos, encontraram prevalências entre 11 e 63% de prescrições potencialmente inadequadas e que poderiam contribuir para eventos adversos, muitas vezes graves. O uso inadequado de medicamentos está associado ao aumento de internações hospitalares e piora na qualidade de vida dos idosos.
Em um recente estudo realizado na França¹, o autor descreve que 63% dos idosos avaliados estavam em uso de pelo menos um medicamento com relação risco/benefício desfavorável e em 6% dos casos havia uma contraindicação formal a algum dos medicamentos em uso. Os medicamentos ansiolíticos e sedativos (especificamente benzodiazepínicos de meia vida longa) foram a classe de medicamentos mais prevalente no grupo considerado como contendo relação risco/benefício desfavorável.  Em relação aos sexos, o sexo feminino foi associado a um maior número de prescrições inadequadas.
Entre as possíveis explicações para estes achados estão problemas estruturais e organizacionais envolvendo a família e cuidadores ou mesmo os residenciais geriátricos, também a assistência em múltiplas unidades de saúde ou consultórios médicos (muitas vezes sem conhecimento adequado da prescrição de outras equipes), utilização de forma inadvertida de medicamentos prescritos em atendimentos e internações anteriores e o reinício de prescrição após esta ter sido suspensa ou modificada.
Atuar de maneira multidisciplinar com suporte farmacêutico e de enfermagem, além do acompanhamento médico de forma regular, assim como, a criação de um ambiente seguro com relação ao manuseio e administração dos medicamentos, são para o idoso, medidas que reduzem de forma significativa os riscos de eventos adversos dos medicamentos, descompensação de doenças crônicas, internações hospitalares e até mesmo óbito.
A adequada informação ao idoso e seus familiares sobre seu estado de saúde, complicações associadas às doenças e potenciais riscos dos tratamentos propostos, tem se mostrado medidas muito eficazes para evitar o uso de medicamentos em demasia e até mesmo contraindicados, sendo, portanto, uma das mais importantes medidas para a manutenção da saúde do idoso.
Referências bibliográficas:
1. Reducing potentially inappropriate drug prescribing in nursing home residents: effectiveness of a geriatric intervention. Br J Clin Pharmacol. 2018.
 
2. Inappropriate medication use among the elderly: a systematic review of administrative databases.  BMC Geriatr 2011.
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