A população brasileira de idosos representa um contigente de quase 21 milhões de pessoas, e estima-se que em 2050, os idosos, corresponderão a 22,71% da população total. O atendimento das demandas dessa população necessita de preparação para compreender o processo de envelhecimento em todas as suas dimensões (biológicas, sociais, psicológicas e espirituais). As políticas públicas voltadas para os idosos têm como objetivo a promoção da autonomia, independência, integração e participação efetiva do idoso na sociedade, com vistas ao exercício da cidadania e ao atendimento de suas necessidades especificas, nos diversos níveis de atenção. Neste artigo abordarei mais especificamente a autonomia que o idoso possui sobre o seu cuidado.

Promover o envelhecimento ativo e saudável significa prevenir a perda da capacidade funcional, através da preservação da independência física e psíquica, promovendo o bem-estar físico, mental e social. A autonomia é uma vertente central neste sentido, promovendo o direito da autodeterminação, mantendo a dignidade, integridade e liberdade de escolha. O paternalismo no atendimento dessa população, onde é decidido o que é melhor por os julgarem como incapazes de decidir a respeito de seus cuidados, interfere diretamente em sua qualidade de vida. Em se tratando de pessoas idosas, que estejam com suas capacidades cognitivas preservadas, essa atitude infringe uma regra ética, legal e moral.
O tratamento infantilizado é, em parte, de aparente fragilização e dependência dessa população e uma comparação equivocada do afeto destinado às crianças. Ao agir dessa forma, acabamos por vitimizar o idoso, usando por exemplo palavras diminutivas e acreditando, assim, estar demonstrando afeto e compaixão. No entanto, elas podem representar menosprezo de capacidade de compreensão do outro, reforçando sua concepção de dependência. Essa postura paternalista do cuidador acaba definindo questões simples trazendo decisões unilaterais e imperativas, tornando o idoso passivo e sem participação.
Quando não é possível que a pessoa com limitações cognitivas compreenda as decisões sobre seus cuidados, a família pode participar de modo a manter o desejo exposto antes do comprometimento, resguardando assim sua autonomia. O idoso sente-se mais valorizado e com a dignidade preservada quando identificado como autônomo. Mesmo na presença de alguma dependência, a autonomia pode ser vivenciada no deu cotidiano a partir do momento em que são consideradas suas escolhas e lhe dão liberdade de agir, por meio de ações simples como a escuta ativa, considerando a singularidade do envelhecimento de cada pessoa. É fundamental valorizar as vivências dos idosos respeitando sua autonomia e contribuição, tendo uma visão holística do ser humano que envelhece.
Sandra Rosa
Enfermeira da Vitalis Morada Sênior e Clínica Pinel
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