A Terapia Ocupacional é uma das profissões que compõem os programas de reabilitação de idosos. Seu atendimento à pessoa idosa visa maximizar a independência e a autonomia, identificar e otimizar as habilidades residuais, a restauração das habilidades funcionais e, sobretudo, aprimorar ou resgatar os vínculos sociais. Não menos importante, essas ações devem considerar a participação da própria pessoa, de seus familiares e cuidadores, propiciando fatores importantes para seu bem-estar como significado existencial, autodeterminação, desenvolvimento positivo e qualidade de vida.

Nas oficinas terapêuticas, um dos espaços utilizados pela terapia ocupacional, é dada grande importância aos grupos, nos quais os indivíduos ingressam para, de certa forma, aprender algo: se divertir, se cuidar, se relacionar com as pessoas, se comunicar. Nessa situação, as atividades atuam como facilitadoras da expressão e comunicação, oportunizando a criação de algo novo a partir da cultura e história pregressa de cada indivíduo.
A função terapêutica das oficinas parte da própria convivência que elas instauram tendo, portanto, um lugar central na proposição de saúde. As atividades previamente analisadas e planejadas devem ser abordadas sob uma perspectiva multidimensional, tendo em vista que a pessoa idosa apresenta múltiplos acometimentos inter-relacionados, seja nas esferas física, psicoafetiva, cognitiva e social, diferentemente do que ocorre em outros períodos de vida.
Muitos transtornos mentais são marcados pela tendência ao isolamento e pela dificuldade de se estabelecer vínculos afetivos e sociais. No contexto das instituições, as oficinas podem ser um dispositivo importante para prevenir o isolamento, a inatividade, a apatia, auxiliando os idosos a alcançar e manter uma vida mais saudável e o mais independente possível. Em um residencial geriátrico, não raro, a grande maioria quando chega à instituição vem de uma rotina de grande ociosidade. Observamos, no cotidiano do serviço, como essas pessoas ainda são capazes, a seu modo, de se divertir, se expressar e produzir, surpreendendo muitas vezes seus familiares.
Acredita-se que mais do que reinserir ou reabilitar, as oficinas terapêuticas assumem uma responsabilidade sobre o ato de cuidar, nas quais as atividades se orientam pelos problemas e necessidades das pessoas em questão, buscando acolher seus sofrimentos, além de potencializar a autonomia e melhorar a qualidade de vida. São encontros entre diferentes histórias que se traduzem na produção de vida. Nas palavras de Yasui, 2010, “Mais do que uma essência do trabalho na saúde, o cuidado é uma dimensão da vida humana que se efetiva no encontro”.
 
Viviane Brambilla Meira Stroher
Terapeuta ocupacional da Vitalis Morada Sênior
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